SAINDO DA IDEIA PARA ACÇÃO

Não basta ter uma ideia, é necessário ser tirada da cabeça e colocada em prática para obter resultados. A seguir são apresentados passos para transformação da ideia em acção.

Debate da ideia

O sucesso do empreendedorismo passa pela capacidade de transformar a ideia que não está clara para algo concreto. A ideia de negócio exige a planificação, identificação e aplicação de recursos, competências e parcerias para a criação do valor. É um passo intermédio entre a definição e validação da ideia e a elaboração do modelo e do plano de negócios.

Etapas

  1. Qual é a ideia?
  2. Qual é a oportunidade?
  3. Por quanto tempo irão se manter as condições que criam a oportunidade?
  4. Qual é a necessidade real para o produto/serviço?
  5. Qual o produto ou serviço a oferecer?
  6. Quem vai comprar o produto/serviço ou quem vai usar? (alvo)?
  7. Como se pode chegar aos clientes alvo?
  8. O que o torna “único” ou distinto?
  9. Por que razão as pessoas comprarão o seu produto e não o de um concorrente?

Para vender a ideia, o empreendedor deve identificar a razão da existência da empresa.

É fundamental identificar o público-alvo, os factores de concorrência, o modelo de negócio (estrutura da empresa) e o respectivo plano de negócio.

Mostrando-se necessário empregar pessoas, é necessário identificar uma equipa com talentos e comprometida com os objetivos do negócio.

É recomendável efectuar um levantamento dos requisitos necessários para materializar a ideia como seja a abertura de contas, tramitação de documentos (NUIT, Alvará, etc.)

Dica: Para reduzir os riscos e maximizar as oportunidades, todo o negócio precisa de uma análise básica, o conhecido “SWOT” ou FOFA para identificar:

• Pontos fortes - todas as características/ qualidades que se demonstrem como uma mais-valia directa associadas ao meio interno, ou seja, à empresa e ao negócio;

• Pontos fracos - relacionados com as características ou factores que enfraquecem a viabilidade do negócio associadas ao meio interno, ou seja, à empresa e ao negócio;

• Oportunidades - análise externa dos aspectos que potenciam o crescimento do negócio e o tornam competitivo no mercado;

• Ameaças - análise externa, que representa tudo que tem potencial para afectar negativamente o negócio, comprometendo a competitividade da empresa.

O empreendedor já munido de ideias, pode estar ainda em dúvida de como começar o negócio, pois não possui recursos financeiros ou não acredita que precise de começar com algo de dimensão maior de uma única vez. O que se segue pode ajudar o empreendedor a compreender melhor a sua situação e decidir sobre o seu negócio.

Testemunho

Conde Madopera (Empreendedor na área da Agricultura ) Industria Madopera Comercial Cabo Delgado

"...Iniciei as minhas actividades vendendo cereais para as províncias de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia. Passado algum tempo, notei que era necessário processar os meus cereais, por exemplo: com o milho, produzir farinha para comercializar. E assim foi, comprei algumas moageiras manuais e iniciei o processamento, na altura tinha 5 trabalhadores.

...vi-me na necessidade de expandir o meu negócio, desenhei um plano de negócios, concorri a um fundo privado...fui o único vencedor na minha província, recebi 100.000 dolares americanos e investi numa moageira automática que processa 10 toneladas de cereais por dia, contra as anteriores 3 toneladas. Empreguei até ao momento, 22 trabalhadores, dos quais 10 são mulheres.

Fui também vencedor do Prémio Jovem Criativo na sua sétima edição, onde ganhei 150.000 meticais, valor este que ajudou muito a alavancar o meu negócio. ...Há muitas oportunidades de empreendedorismo na agricultura, é só fazer um bom estudo de viabilidade na zona em que vive, identificar as oportunidades, acreditar que tudo é possível e... arriscar, seguir em frente. Empreendedorismo é a solução, o governo não tem emprego para todos, vamos empreender jovens...é possível viver do empreendedorismo, principalmente na área da agricultura..."

Para tirar a ideia para o papel, existem diversas técnicas. Neste ponto destacamos o Effectuation. A Saras Sarasvathy quis perceber porquê alguns empreendedores tinham tanto sucesso, então, ela iniciou uma pesquisa com 27 empreendedores bem sucedidos e milionários e chegou à seguinte conclusão: “minha teoria é que bons empreendedores não começam com ideias brilhantes ou auto-conhecimento e previsões extraordinárias. Eles começam como eu ou tu poderíamos começar: com quem, o que são, o que sabem e a quem conhecem. ” Por causa do sucesso da sua pesquisa, a Saras fez um livro apresentando a teoria de Effectuation- Efectivação:

Os princípios de effectuation são cinco – Pássaro na mão, Perda aceitável, Colcha de retalhos, Do limão a limonada e Piloto do avião, que servem para guiar o pensamento do empreendedor.

• Pássaro na mão: começar com o que se tem - O empreendedor deve começar a agir com base no que tem disponível: quem tu és, o que sabes e quem conheces. Ex: A Maria queria fazer bolinhos para vender na escola, então pediu à mãe o trigo, açúcar e óleo, a amiga ofereceu-lhe alguns ovos.

• Perda aceitável: gastar só o que puder - O empreendedor deve determinar a perda aceitável, avaliando as oportunidades e o potencial risco. Na primeira fase, o empreendedor não concentra a sua atenção nos lucros, mas sim em possíveis prejuízos e como minimizá-los.

• Ex: Os primeiros clientes da Maria, foram familiares, começaram a fazer dívidas o que começou a afectar a reposição do stock, então estipulou uma quantidade de bolinhos para serem pagos a crédito, sem colocar em risco o negócio.

• Colcha de retalhos: formar parcerias - O empreendedor deve procurar se juntar a pessoas dispostas e disponíveis para fazer negócio, cada um com uma ideia viável, o chamado pássaro na mão, e desta forma, como grupo conseguem ter mais oportunidades e visão do negócio. Ex: Quando o negócio da Maria começou a crescer, ela concluiu que precisava de um lugar para colocar os seus bolinhos, então falou com a Dona Joana que tem uma mercearia próximo de uma escola para colocar os seus bolinhos, em troca de 10% do lucro.

• Do limão a limonada: lidar com o imprevisível - O empreendedor aproveita e aprende com as casualidades, valorizando as surpresas que surgem no mundo de negócios e saber manter-se flexível, pois os seus objetivos podem ser influenciados pelo ambiente que o rodeia. Ex: Quando a Maria começou a receber mais encomendas, percebeu que com o material disponível não era possível satisfazer a demanda e pediu aos clientes um adiantamento de 50% e assim conseguiu satisfazer os seus clientes.

• Piloto do avião: Controlar, não prever - Os quatro (4) princípios acima descritos representam as diferentes formas que os empreendedores usam para interagir e moldar o seu ambiente. Naturalmente que, nem tudo pode ser controlado ou moldado, mas enquanto piloto do seu negócio, o empreendedor mantém foco naquilo que está sob seu controlo.

Ex: A subida do preço de trigo e do açúcar está fora do controlo da Maria, mas ela pode melhorar a qualidade dos seus produtos para atrair mais clientes e aumentar as vendas.

Modelo de Negócio

O modelo de negócio é a forma como o empreendedor cria, entrega e obtém o valor, gerando a sua receita através da colocação dos seus produtos ou serviços no mercado. Assim, não existe uma “receita de bolo”, pelo contrário, o modelo depende da proposta de valor e das características do negócio.

Business Model Canvas (BMC) - Não se trata de um simples diagrama, mas o que faz do BMC uma ferramenta cada vez mais popular entre os empreendedores. A ideia central do Business Model Canvas (Canvas do modelo de negócio) é permitir que um negócio seja completamente visualizado em uma única página.

• Proposta de valor – a razão ou o motivo pelo qual os clientes se interessam e adquirem os produtos e serviços.

• Segmento de clientes – Definir quem são os clientes que pretende atender.

• Canais de Venda – Como os produtos chegarão aos clientes e como os clientes irão interagir com o negócio.

• Relacionamento com cliente – Como fazer para conquistar e manter uma boa relação com os clientes.

• Fonte de Receitas – Definir como e quando se pagará pelos produtos.

• Principais Recursos – Relacionar os recursos necessários para realizar a proposta de valor e para fazer o negócio funcionar.

• Principais Actividades – Relacionar as acções necessárias para a realização do negócio.

• Principais Parcerias – Identificar fornecedores e parceiros para apoiar a realização do negócio.

• Estrutura de custos – Levantar o que vai ser gasto para realizar a proposta de valor.

CANVAS DE MODELO DE NEGÓCIO SOCIAL Os Negócios Sociais concentram-se no impacto que criam para os beneficiários, ao invés de gerar lucros. Portanto, a ferramenta leva em conta aspectos adicionais, que ajudam na criação de um modelo de negócio social.

Plano de Negócios

O empreendedor deve transformar a sua ideia em negócio através de um plano de negócios.

Mas afinal o que é um Plano de Negócios? Trata-se de um documento que define com clareza o negócio (core business), identifica as metas, os objectivos e o perfil do projecto de negócio.

Este documento é fundamental para o empreendedor, no contacto com potenciais parceiros do negócio, avaliar a sua viabilidade. O Plano de Negócios deve ter os elementos necessários que permitem conhecer a proposta, o mercado e o processo.

Dica: esteja atento empreendedor, o seu plano de negócio ilustra a sua capacidade de começar e gerir um negócio de sucesso. Funciona como um “mapa” que permite levar o seu negócio ao sucesso.

De lembrar que cada ideia de empreendimento possui particularidades, e assim sendo, o plano de negócio pode variar de um empreendimento para outro. Em caso de dúvidas, o empreendedor pode buscar exemplos na internet e outras fontes. De forma geral, um plano de negócios apresenta:

I. Sumário Executivo – reúne os tópicos de cada sessão do plano, um resumo da ideia do empreendimento e uma breve descrição da empresa, que deve ser simples e objectivo;

II. Análise de mercado – é neste tópico que se identifica o segmento do mercado que a empresa pretende actuar, as necessidades do público alvo (clientes), principais concorrentes e fornecedores;

III. Plano de Marketing – Nesta etapa, é importante estruturar as estratégias de marketing com base nos quatro (4) pilares básicos conhecidos, a saber: Produto, Preço, Praça e Promoção.

IV. Plano operacional – nesta etapa deve-se providenciar a descrição da localização, das instalações físicas, dos equipamentos, dos recursos humanos (pessoas e respectivos cargos), capacidade produtiva, tempo necessário para cada etapa do processo de produção, produto e/ou quantidade de clientes atendidos no mês, o arranjo físico(ou layout), que define a distribuição dos sectores, equipamentos, móveis e funcionários no espaço fisíco do estabelecimento, incluindo o desenho de uma planta arquitectónica.

V. Plano Financeiro

– consiste na análise de possíveis situações que o empreendedor pode vir a enfrentar, sejam positivas ou negativas bem como os caminhos a seguir.

Com o plano de negócios bem elaborado, é possível ter um uma previsão mais realística e segura para começar um empreendimento.

Testemunho

...sou uma jovem resiliente que busca transformar e capitalizar tudo que me rodeia, por mais pequeno que seja... actualmente trabalho com pequenos agricultores, com particular enfoque nas mulheres que tinham dificuldades em escoar e vender os seus produtos e hoje elas são parceiras de negócio... iniciei o meu negócio por conta do desemprego e hoje, é este meu emprego e de outros jovens.

Participei no Prémio Jovem Criativo, Edição 2020, e fui uma das vencedoras na categoria de Empreendedorismo.

As minhas principais dificuldades estão nas embalagens, isto porque não são produzidas internamente e para tal tenho que recorrer aos paises vizinhos como Zâmbia, Zimbábwe, África do Sul e também China. Não se pode criar expectativas elevadas quando se inicia um negócio para no fim ficarmos decepcionados . O importante é ser paciente, isto é fundamental... é importante compreender que cometeremos muitos erros. Aprendi que trabalhamos para além do necessário e só com tempo fui amadurecendo e compreendendo que era necessário delegar tarefas. É preciso investir muito no conhecimento , na capacitação dos trabalhadores, conhecer bem a sua área de actuação, e investir no negócio sem pensar no lucro a curto prazo. O mais importante é gostar do que fazemos e isso faz toda a diferença. Iniciamos com 5 trabalhadores e hoje somos 10, das quais 6 mulheres. Estes trabalham directamente comigo. Para além destes, tenho 50 trabalhadores indirectos sazonais em Nampula, Zambézia, Manica, Tete e Beira. Nós jovens podemos criar emprego, somos fortes e capazes..."

Acesso ao recurso Capital

Para materializar a sua ideia, o empreendedor precisa ter vários recursos para investir no seu negócio, podendo ser naturais, humanos, capitais, tecnológicos e empresariais.

O peso da importância de cada um destes recursos (em qualidade e/ou quantidade) pode variar de acordo com o tipo de empreendimento.

Por sua vez, estes recursos podem ser obtidos e acedidos através de apoios de familiares, amigos, governo, investidores, empréstimos, subvenções, entre outras fontes e formas.

• Aceder ao recurso Capital – (Dinheiro) Dentre os vários recursos necessários para começar ou expandir uma ideia de negócios, o capital, mais especificamente o dinheiro, tem sido um dos recursos mais procurados.

Um bom empreendedor deve saber que antes do dinheiro, ele deve projectar e desenhar a sua ideia de negócio, de modo a precisar de menos dinheiro possível para a sua implantação ou crescimento – é por isso que é extremamente importante ter um bom “modelo e plano de negócio”!

No processo de aceder ao dinheiro, o empreendedor deve decidir a melhor forma de financiar o seu projeto de negócio, que pode ser através de capitais próprios ou de terceiros - financiamento “reembolsável” e “não reembolsável”.

Financiamentos reembolsáveis - Recorrendo a capitais reembolsáveis de outras pessoas, podemos destacar os “empréstimos bancários” e investimento de “investidores privados”.

Ao manter contacto com o seu banco, o empreendedor estará preparado para satisfazer os requisitos de acesso aos empréstimos, sempre que se mostrar necessário para o seu negócio.

O empreendedor não deve ter medo de ser cliente do banco, contudo, deve conhecer os produtos e serviços antes de os aceitar!

Dica:

O empreendedor deve analisar as vantagens e desvantagens de cada tipo de financiamento.

Financiamentos não reembolsáveis – O empreendedor deve prestar atenção às oportunidades que o mercado oferece através de uma pesquisa de potenciais instituições que oferecem oportunidades de Financiamentos não reembolsáveis.

Os Financiamentos não reembolsáveis podem ser de diferente natureza e modalidades, podendo ser um óptima fonte de recursos que o empreendimento precisa - naturais, humanos, capitais, tecnológicos e empresariais. Estes apoios podem consistir no processo de incubação e ou aceleração do seu negócio.

Para poder aceder a qualquer tipo de apoio de terceiros (Governo, Bancos, Investidores, ONGs, Etc.), o empreendedor deve conhecer os requisitos de cada linha de apoio existente e estar preparado para saber vender a sua ideia – de forma lógica, rápida, consistente e verdadeira.

Pitch (Vendendo a ideia) O Pitch é uma apresentação rápida e directa, com duração de até 5 minutos, que o empreendedor usa para despertar o interesse de um potencial parceiro ou cliente pelo seu negócio. O Pitch deve conter as informações essenciais e diferenciadas sobre o negócio, com a seguinte estrutura :

1. Quem é, e o que faz o seu negócio.
2. Que soluções traz o seu negócio.
3. Qual é o potencial de crescimento.
4. Quais são os seus produtos ou serviços.
5. Qual é a sua experiência no negócio.
6. Como é a sua carteira de clientes já conquistados.
7. Qual é o perfil da sua equipa de negócio.
8. Que recursos necessita o seu negócio.
9. Como é que pretende desenvolver a parceria.
10. Quem são os seus principais concorrentes.

NB: Se o pitch for direccionado ao cliente, deve focar-se apenas na solução e no diferencial que o negócio traz e como os clientes podem contactar o empreendedor, caso este seja direccionado aos parceiros. É importante deixar claro os benefícios que terão dessa parceria.

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